quarta-feira, abril 2, 2025
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    Helder Barbalho tenta contornar críticas sobre o paisagismo Urbano de Belém

    A insatisfação popular ganhou força após a divulgação de que a vegetação seria substituída por árvores artificiais feitas de vergalhões reaproveitados.

    Alarmado com as duras críticas sobre o paisagismo nos parques lineares da Av. Visconde de Souza Franco (Doca) e Av. Tamandaré, em Belém, o governador Helder Barbalho visitou pessoalmente o canteiro de obras e gravou um vídeo tentando minimizar a situação. A insatisfação popular ganhou força após a divulgação de que a vegetação seria substituída por árvores artificiais feitas de vergalhões reaproveitados.

    Reação popular e mudança de discurso

    Inicialmente, a Comunicação do Governo do Pará anunciou, por meio da Agência Pará, que as estruturas metálicas seriam uma alternativa ao plantio direto. No entanto, após intensa repercussão negativa em nível nacional e internacional, o discurso mudou, e o projeto passou a ser descrito como ‘jardins suspensos’ com plantas naturais apoiadas em estruturas de ferro.

    Justificativa do projeto e influência de Singapura

    O projeto é assinado pela arquiteta Naira Carvalho, da Secretaria de Obras Públicas do Pará, que argumenta que a ideia surgiu da necessidade de sombreamento em áreas sem solo adequado para plantio. Segundo ela, a proposta foi inspirada em Singapura e segue princípios de reaproveitamento e sustentabilidade alinhados à COP. O Parque Linear da Doca contará com 80 dessas estruturas, enquanto o da Av. Tamandaré terá 100.

    Críticas à ausência de soluções regionais

    Especialistas e a população questionam a decisão de copiar um modelo urbano de Singapura em Belém, uma cidade situada na maior floresta tropical do mundo. O estado abriga centros acadêmicos renomados, como o Núcleo de Meio Ambiente (NUMA) e o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), ambos da Universidade Federal do Pará (UFPA), que poderiam contribuir com alternativas mais adequadas à realidade amazônica.

    A história da cidade também oferece referências mais alinhadas ao contexto local. Durante a Belle Époque, Belém investiu no paisagismo naturalista, resultando em praças icônicas como Batista Campos e Praça da República, que priorizam árvores de grande porte e vegetação nativa.

    Alternativas sustentáveis para arborização urbana

    Especialistas defendem que o ideal seria o uso de vasos gigantes com árvores reais e de raízes pequenas, como as bougainvilleas, que além de proporcionarem sombra, florescem o ano inteiro com cores vibrantes. Estudos comprovam que árvores naturais são fundamentais para equilibrar o clima e melhorar a qualidade de vida urbana, enquanto estruturas artificiais não oferecem os mesmos benefícios ambientais.

    Exemplos internacionais de cidades sustentáveis

    Cidades como Paris e Berlim adotam políticas urbanas focadas na arborização e na sustentabilidade. Paris, por exemplo, está implementando “praças oásis” em seus 20 distritos administrativos para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A cidade também investe na despoluição do Rio Sena e na ampliação de áreas verdes, além de reduzir o tráfego de veículos em centenas de ruas. Já Londres e as cidades nórdicas são referências mundiais na preservação ambiental e na criação de espaços verdes urbanos.

    Infraestrutura urbana defasada e o desafio do BRT

    Enquanto cidades europeias avançam na integração entre arborização e transporte público, Belém ainda enfrenta problemas estruturais. O BRT metropolitano, iniciado em 2019, continua defasado e sem funcionamento adequado, contribuindo para o caos urbano e acidentes evitáveis. A versão municipal, iniciada em 2012, também não atendeu às expectativas da população.

    Rumo à COP: oportunidade para revisão do projeto

    Ainda há tempo para que o governador Helder Barbalho reavalie esse projeto e evite um desastre ambiental e urbanístico que pode ter repercussão internacional, especialmente diante da realização da COP em Belém. A decisão sobre o modelo de arborização da cidade precisa levar em conta a biodiversidade e as necessidades climáticas da região, garantindo um legado positivo para as futuras gerações.

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